Sandra tem 52 anos, mora em Higienópolis e há oito meses sente uma dor no lado externo do quadril direito que não passa. Começou quando ela retomou as caminhadas pela Avenida Pacaembu após um longo período sedentário. No início, a dor aparecia só no final do percurso. Depois começou a aparecer ao deitar no lado direito, até que passou a acordá-la durante a noite. Ela foi a dois ortopedistas: um pediu radiografia do quadril, viu "alguma coisa" e disse que era artrose. Outro disse que a radiografia estava "praticamente normal" e que era muscular. Nenhum dos dois foi mais específico. Quando chegou à SUORT em Perdizes, o Dr. Sérgio Rovinski realizou o ultrassom no próprio consultório e o diagnóstico ficou claro em menos de 15 minutos: bursite trocantérica.
A confusão diagnóstica no caso de Sandra não é incomum. A bursite trocantérica, também chamada de Síndrome da Dor do Grande Trocânter (GTPS, do inglês Greater Trochanteric Pain Syndrome), é subdiagnosticada e frequentemente confundida com artrose de quadril ou lombalgia. Estudo publicado no Spine Journal (Tan et al., 2018) mostrou que até 51% dos pacientes encaminhados para avaliação de lombalgia degenerativa apresentavam GTPS concomitante, sem diagnóstico prévio da condição no quadril.
A prevalência é expressiva. Coorte com 3.000 adultos entre 50 e 70 anos (Segal et al., Archives of Physical Medicine and Rehabilitation, 2007) registrou 15% de prevalência em mulheres e 6,6% em homens na faixa etária de maior risco. Mulheres têm 3,3 vezes mais chance de desenvolver a condição segundo banco de dados com 60.610 pacientes (Kadar et al., Journal of Clinical Medicine, 2023), com risco adicional de 55,8% para diabéticos.
A boa notícia, que Sandra ficou aliviada de ouvir: entre 60% e 90% dos pacientes com bursite trocantérica respondem ao tratamento conservador segundo o Consenso Internacional de Cirurgia de Quadril (ISHA, 2022, 24 especialistas internacionais). O que faz a diferença é diagnosticar certo antes de tratar.
O grande trocânter é a proeminência óssea mais lateral do fêmur, aquela que se sente ao colocar a mão no lado externo do quadril. Ao redor dele existem bursas, pequenas bolsas revestidas por membrana sinovial e preenchidas com líquido, cuja função é reduzir o atrito entre o osso e as estruturas que passam sobre ele, principalmente a banda iliotibial (BIT) e os tendões dos músculos glúteo médio e mínimo.
Quando essas bursas são submetidas a atrito repetitivo acima do que conseguem tolerar, inflamam. Os fatores que aumentam esse atrito incluem: banda iliotibial encurtada (comum em pessoas que ficam muito tempo sentadas ou que correm com pisada pronada), fraqueza dos abdutores do quadril (glúteo médio e mínimo), obesidade, desequilíbrio na largura do quadril (as mulheres têm quadril naturalmente mais largo, o que aumenta o ângulo da BIT sobre o trocânter) e alterações no alinhamento dos membros inferiores, como diferença de comprimento de pernas ou joelho valgo.
É importante entender que a bursite trocantérica é frequentemente parte de uma síndrome mais complexa, a GTPS. Estudo sonográfico retrospectivo com 877 pacientes (Long et al., citado em Pianka et al., SAGE Open Medicine, 2021) mostrou que apenas 8,1% dos pacientes com dor lateral de quadril tinham bursite isolada. A maioria apresentava tendinopatia do glúteo médio (49,9%), espessamento da banda iliotibial (29,1%) ou combinações dessas condições. Isso significa que tratar só a bursa, sem abordar o tendão e os músculos ao redor, resulta em recorrência frequente.
Esse é o principal erro diagnóstico na dor lateral de quadril, e tem consequências práticas: o tratamento de artrose de quadril é completamente diferente do tratamento de bursite trocantérica. Tratar bursite como artrose resulta em paciente sem melhora e com a sensação de que "não tem jeito".
A diferença mais importante é a localização da dor. Na bursite trocantérica, a dor está no lado externo do quadril, a lateral da coxa, e piora ao deitar sobre o lado afetado, ao cruzar as pernas e ao subir escadas. Na artrose de quadril (coxartrose), a dor predomina na virilha e na região anterior do quadril, podendo irradiar para a face medial da coxa e o joelho. Deitar sobre o lado afetado não é o principal gatilho na artrose.
A palpação do grande trocânter é altamente específica: dor intensa ao pressionar a proeminência óssea lateral do quadril aponta fortemente para GTPS. Na coxartrose, essa palpação não é especialmente dolorosa. O Teste FABER (quadril em flexão, abdução e rotação externa) reproduz dor lateral na bursite e dor anterior/virilha na artrose, com sensibilidade de 81% e especificidade de 82% para essa distinção, segundo Pianka et al. (2021).
A radiografia simples do quadril pode mostrar artrose de quadril (redução do espaço articular, osteófitos), mas não visualiza a bursa. Um paciente com artrose leve na radiografia pode ter bursite trocantérica como causa principal da dor, o que explica casos como o de Sandra, em que o primeiro ortopedista atribuiu a dor à artrose de grau leve e não chegou ao diagnóstico correto.
"O ultrassom é o diferenciador", resume o Dr. Sérgio Rovinski, ortopedista da SUORT formado pela UNIFESP e especializado pelo SBCOC. "Com o ultrassom, eu vejo a bursa em tempo real, avalio a espessura dos tendões do glúteo, identifico derrame e posso infiltrar no mesmo momento se for o caso. A ressonância dá informação parecida, mas é estática e o paciente precisa agendar em outro lugar. Para a dor lateral de quadril, o ultrassom dinâmico no consultório é mais eficiente."
Outro dado importante: estudo de coorte de 11 anos (Bicket, Cooke, Knott, Fearon, BMC Musculoskeletal Disorders, 2021) mostrou que 35% dos pacientes com GTPS desenvolveram artrose de quadril ao longo do seguimento, contra 0% do grupo controle. As duas condições não são mutuamente exclusivas, e podem coexistir. Nesses casos, o tratamento precisa abordar as duas.
Os pacientes com bursite trocantérica chegam ao consultório com um conjunto de queixas bastante característico, embora nem sempre percebam a conexão entre elas:
A dor noturna ao deitar sobre o lado afetado é um dos sintomas mais incapacitantes da bursite trocantérica e um dos que mais prejudicam a qualidade de vida. Muitos pacientes passam meses dormindo mal sem saber por quê. Esse sintoma específico, combinado com a dor à palpação do grande trocânter, aponta para o diagnóstico com alta probabilidade. Quando o ortopedista encontra os dois juntos, a chance pré-teste de GTPS sobe para 96% segundo revisão sistemática com meta-análise publicada em 2023.
O tratamento da bursite trocantérica começa sempre pelo conservador. O Consenso ISHA 2022 estabelece a fisioterapia estruturada como a base do tratamento, com protocolo em três fases: (1) exercícios isométricos submáximos sem dor nos abdutores do quadril; (2) fortalecimento concêntrico e excêntrico progressivo do glúteo médio e mínimo; (3) atividades dinâmicas monopodálicas com controle pélvico no plano frontal.
Esse protocolo tem base em estudo de seguimento publicado por Mellor et al. (citado em Pianka et al., 2021) que registrou 79% de melhora ao final de 1 ano com fisioterapia estruturada, contra 52% com observação ativa. A diferença é expressiva: quem faz fisioterapia dirigida melhora muito mais do que quem espera a dor passar sozinha.
A restrição de adução do quadril nas atividades do dia a dia é uma intervenção prioritária e frequentemente subestimada. Cruzar as pernas tensiona a banda iliotibial sobre o trocânter. Deitar com os joelhos juntos faz o mesmo. O ortopedista ensina o paciente a modificar esses hábitos posturais desde a primeira consulta. Na SUORT, a fisioterapia ortopédica em Perdizes integra essas orientações posturais ao protocolo de fortalecimento desde a primeira sessão.
A infiltração com corticoide guiada por ultrassom oferece alívio rápido da dor nos primeiros 3 meses e facilita a adesão à fisioterapia. Ensaio clínico randomizado (Brinks et al., Annals of Family Medicine, 2011, n=120 pacientes) mostrou recuperação de 55% no grupo infiltração versus 34% no grupo cuidado habitual aos 3 meses (NNT=5). Outro estudo (Shbeeb et al., 1996) documentou 77% de alívio da dor em 1 semana e 61% em 6 meses. O benefício do corticoide é real no curto prazo, mas os estudos mostram que em 12 meses os grupos se igualam, o que reforça que a infiltração é um recurso adjuvante, não um tratamento definitivo por si só.
O PRP (plasma rico em plaquetas) guiado por ultrassom está emergindo como a opção de maior benefício no longo prazo. Estudo prospectivo randomizado (PMC7001131) mostrou melhora estatisticamente superior do PRP em relação ao corticoide para dor e função do quadril às 24 semanas. O Consenso ISHA 2022 reconhece o PRP como apresentando "resultados superiores no longo prazo, com benefícios sustentados por até 2 anos". Para quem já fez uma ou duas infiltrações com corticoide sem resultado duradouro, o PRP guiado por ultrassom é a próxima etapa antes de considerar a cirurgia. Saiba mais sobre o potencial das infiltrações regenerativas no artigo sobre infiltrações como alternativa à cirurgia.
A bursectomia artroscópica do quadril é reservada para pacientes que não responderam a pelo menos 3 a 6 meses de tratamento conservador estruturado, incluindo fisioterapia e pelo menos duas infiltrações. A indicação cirúrgica é mais clara quando há ruptura dos tendões do glúteo médio ou mínimo associada, identificada por ressonância ou ultrassom.
"O bom médico tenta tirar o paciente da faca tudo que der", resume o Dr. Sérgio Rovinski. "Mas quando você esgotou o conservador com critério e o paciente continua sem dormir, sem caminhar direito, sem qualidade de vida, a cirurgia é a decisão certa. Ortopedia é função. Ortopedia é qualidade de vida. Viver com dor no quadril não é envelhecer naturalmente, é uma condição com diagnóstico e tratamento." O Dr. Sérgio foi formado pela UNIFESP, tem especialização pela SBCOC e atua como faculty do Shoulder Planet, com cirurgias ao vivo em congressos internacionais na Índia (9 vezes) e Argentina (4 vezes).
O procedimento artroscópico usa 2 a 3 portais de 1 cm na lateral do quadril para ressecção da bursa inflamada, liberação da banda iliotibial e, quando necessário, sutura de rupturas parciais dos tendões do glúteo. Os resultados são consistentes: série cirúrgica de Walsh et al. (2011) registrou que 95% dos pacientes reportaram dor mínima ou ausente em 1 ano após reparo artroscópico de rupturas de espessura total do glúteo.
O protocolo de reabilitação pós-cirúrgica recomendado pelo Consenso ISHA 2022 prevê 5 fases ao longo de 16 semanas, com carga protegida nas primeiras 6 semanas e progressão gradual até o retorno ao esporte ou atividades de alto impacto após a 16ª semana. O retorno ao quadril sem dor ao sentar ou ao deitar é o objetivo central do pós-operatório.
A SUORT Clínica Integrada fica na Rua Cayowaá, 2066, em Perdizes, zona oeste de São Paulo. Para pacientes de Higienópolis, Pompeia, Sumaré, Santa Cecília, Vila Madalena, Pinheiros, Lapa e Barra Funda, a localização é central e de fácil acesso pelas estações de metrô Sumaré e Barra Funda, pela Avenida Angélica ou pela Rua Cardoso de Almeida.
O modelo de atendimento da SUORT resolve em uma única visita o que Sandra levou meses tentando resolver em dois consultórios separados: a consulta com o Dr. Sérgio inclui o exame físico, o ultrassom dinâmico do quadril e, quando indicado, a infiltração guiada no mesmo dia. Não há necessidade de agendar ultrassom em outro serviço e retornar semanas depois para o resultado.
Pacientes com bursite trocantérica que também apresentam dor lombar concomitante, o que ocorre em até 51% dos casos segundo a literatura, recebem avaliação integrada dos dois problemas. A SUORT trata também as condições da coluna associadas à dor do quadril, sem fragmentar o cuidado entre especialistas que não se comunicam.
A clínica tem 40 anos de história em Perdizes, fundada pelo Dr. Alfredo Rovinski, ortopedista especializado em pé. O Dr. Sérgio Rovinski, filho, está na clínica há mais de 20 anos e construiu uma carreira internacional sem deixar de atender em São Paulo. "Quem não arruma tempo para cuidar da saúde vai ter que arrumar tempo para cuidar da doença", frase que ele ouviu de um paciente em 2007 e passou a usar em consultório desde então, resume a filosofia que guia o atendimento da SUORT.
A clínica aceita mais de 50 convênios médicos, incluindo Bradesco Saúde, Notredame Intermédica, Cassi, Omint, Geap e Metrus. Consulta ortopédica e fisioterapia podem ser cobertas pelo plano de saúde. A recepção confirma cobertura pelo (11) 3868-5566 antes do agendamento.
É a inflamação das bursas ao redor do grande trocânter, a proeminência óssea do lado externo do fêmur. Também chamada de Síndrome da Dor do Grande Trocânter (GTPS), frequentemente envolve tendinopatia dos músculos glúteo médio e mínimo além da bursa inflamada. Causa dor na face lateral do quadril que piora ao deitar sobre o lado afetado, ao cruzar as pernas e ao subir escadas.
A localização da dor é o primeiro dado: bursite dói no lado externo do quadril, artrose dói principalmente na virilha. Na bursite, a amplitude de movimento do quadril costuma estar preservada; na artrose, está reduzida com padrão capsular. A palpação dolorosa do grande trocânter aponta para bursite. O ultrassom confirma o diagnóstico e distingue as duas condições com precisão. Lembrar que as duas podem coexistir: 18,2% dos pacientes com GTPS em seguimento de 11 anos tinham as duas condições simultaneamente.
Sim, em 60 a 90% dos casos segundo o Consenso ISHA 2022. O tratamento conservador combina fisioterapia com fortalecimento dos abdutores do quadril, modificação de hábitos posturais e infiltração guiada por ultrassom com corticoide ou PRP. A cirurgia artroscópica fica para os casos que não responderam a pelo menos 3 a 6 meses de tratamento adequado.
Mulheres têm 3,3 vezes mais risco que homens (Kadar et al., 2023, n=60.610). O quadril feminino mais largo cria ângulo maior da banda iliotibial sobre o trocânter, aumentando o atrito sobre a bursa. A queda de estrogênio na menopausa afeta a qualidade do colágeno dos tendões periarticulares e a lubrificação das bursas, tornando as mulheres pós-menopausais o grupo de maior prevalência da condição.
Depende da intensidade da dor. Caminhadas curtas em terreno plano geralmente são toleradas e podem ser mantidas. Caminhadas longas, em terreno irregular ou em subidas pioram o atrito sobre a bursa e devem ser reduzidas durante o tratamento. O fisioterapeuta orienta a dose e o tipo de atividade adequados para cada fase do tratamento. Nadar e pedalar são alternativas de baixo impacto que mantêm o condicionamento sem sobrecarregar a bursa.
Sim. A SUORT Clínica Integrada em Perdizes aceita mais de 50 convênios, incluindo Bradesco Saúde, Notredame Intermédica, Cassi, Omint, Geap e Metrus. Consulta ortopédica com o Dr. Sérgio Rovinski e sessões de fisioterapia podem ser cobertas pelo plano. Ligue para (11) 3868-5566 ou fale pelo WhatsApp para confirmar a cobertura antes de agendar.