Marcos acordou na segunda-feira, pisou no chão e sentiu aquela dor no calcanhar. Não era a primeira vez. Nos últimos meses, havia notado que os primeiros minutos de caminhada eram sempre difíceis, mas depois a dor passava e ele continuava o dia sem pensar mais nisso. Naquela semana, no entanto, a dor não passou. Continuou no meio da corrida matinal, aumentou quando subiu a rampa do estacionamento e não foi embora nem à noite, com o pé em repouso. Só então ele pesquisou "dor no tendão de Aquiles" e descobriu que era algo que merecia atenção.
A tendinite de aquiles é uma das lesões mais comuns do pé e do tornozelo no Brasil. Afeta corredores, praticantes de futebol, squash e tênis, mas também pessoas que nunca praticaram esporte na vida e que, de repente, decidiram começar a caminhar ou malhar sem preparação gradual. O tendão de Aquiles é o mais espesso e resistente do corpo humano, mas quando sobrecarregado além do que consegue suportar, inflama, degenera e começa a doer.
A Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) estima que a tendinopatia do Aquiles representa entre 6% e 8% de todas as lesões por overuse em corredores amadores. Mas não é exclusividade dos corredores. Dados publicados no British Journal of Sports Medicine mostram que até 30% dos casos de tendinite de aquiles ocorrem em pessoas sedentárias ou com baixo nível de atividade física, frequentemente associados ao sobrepeso, ao uso de calçados inadequados e ao encurtamento da musculatura da panturrilha.
A boa notícia é que a tendinite de aquiles tem tratamento eficaz e, na grande maioria dos casos, sem cirurgia. A chave é começar cedo. Quanto mais tempo o tendão fica sendo sobrecarregado sem tratamento, mais ele degenera, e mais difícil fica reverter o quadro. Se você está com dor no calcanhar ou no tendão, continue lendo.
O tendão de Aquiles é a estrutura fibrosa que conecta os músculos da panturrilha (gastrocnêmio e sóleo) ao osso do calcanhar. É o tendão mais grosso e mais forte do corpo, capaz de suportar cargas que chegam a oito vezes o peso corporal durante a corrida. Mas essa resistência tem um preço: o tendão de Aquiles tem baixa irrigação sanguínea, especialmente na região que fica cerca de 2 a 6 centímetros acima do calcanhar. Essa área é exatamente onde a maioria das lesões ocorre.
Quando o tendão é submetido a uma carga que supera sua capacidade de recuperação, começam micro lesões nas fibras de colágeno. Se o tendão tiver tempo para se recuperar entre os esforços, ele se adapta e fica mais resistente. Se a carga é repetida antes da recuperação completa, as micro lesões se acumulam, o processo inflamatório se instala e a tendinite de aquiles se desenvolve.
A terminologia moderna prefere o termo tendinopatia de Aquiles para os casos crônicos, porque o componente inflamatório clássico às vezes não está mais presente: o que existe é degeneração do colágeno (tendinose), sem inflamação ativa. Essa distinção é importante para o tratamento, porque anti-inflamatórios funcionam melhor na fase aguda, enquanto a fisioterapia com exercícios excêntricos é o recurso mais eficaz para a tendinopatia crônica.
A localização da dor ajuda o ortopedista a identificar o tipo de lesão. A tendinopatia do corpo do tendão causa dor na região de 2 a 6 cm acima do calcanhar. A tendinopatia de inserção causa dor exatamente onde o tendão se fixa no osso do calcanhar, e tem características clínicas e de tratamento um pouco diferentes. O ortopedista distingue as duas pelo exame físico e pelo ultrassom.
Os sintomas da tendinite de aquiles variam de acordo com a gravidade e o tempo de evolução da lesão. Nos estágios iniciais, a dor aparece apenas no começo da atividade e melhora com o aquecimento. Nos estágios mais avançados, a dor está presente durante e após o exercício, e nos casos crônicos passa a acompanhar atividades simples do cotidiano.
Os sinais mais comuns incluem:
O "aquecimento" da dor que acontece no início da atividade e depois some temporariamente é um dos sinais mais característicos da tendinite de aquiles. Muitas pessoas interpretam isso como um sinal de que o tendão está melhorando sozinho. Na realidade, o que acontece é que o aumento da temperatura e a circulação sanguínea melhoram temporariamente a tolerância do tendão à carga. A lesão continua evoluindo por baixo.
A ruptura do tendão de Aquiles é a complicação mais grave da tendinopatia não tratada. Acontece quando o tendão já degenerado é submetido a uma carga súbita, muitas vezes em um movimento banal, como dar um salto ou escorregar. O paciente relata um "estalo" forte, como se tivesse levado uma bolada no calcanhar. A incapacidade de apoiar o pé e de se elevar na ponta dos pés confirma a suspeita. Essa é uma situação de urgência ortopédica.
A tendinite de aquiles raramente tem uma causa única. É quase sempre o resultado de vários fatores que, combinados, colocam o tendão numa situação de carga além do que ele consegue suportar e recuperar.
Aumento brusco do volume ou intensidade de treino é a causa mais comum em corredores e atletas amadores. Aumentar a distância ou o ritmo de corrida de forma muito rápida não dá ao tendão tempo de se adaptar. A regra dos 10% por semana de aumento de carga é um dos princípios básicos de prevenção de lesões por overuse.
Encurtamento da musculatura da panturrilha é um fator de risco muito frequente e subestimado. Quando o gastrocnêmio e o sóleo estão encurtados, eles transferem mais força para o tendão de Aquiles a cada passo. Pessoas que passam muito tempo sentadas, que usam calçados de salto com frequência ou que não têm o hábito de alongar a panturrilha têm maior risco de desenvolver tendinopatia de Aquiles.
Pisada pronada ou supinada altera a distribuição de força no tendão durante a corrida e a caminhada. A pronação excessiva (pé que cai para dentro) cria uma torção no tendão a cada passada, o que aumenta o estresse sobre as fibras de colágeno ao longo do tempo.
Calçados inadequados com pouco amortecimento, contraforte duro que comprime a inserção do tendão ou sola muito rígida que não permite a flexão do tornozelo são fatores de risco para ambos os tipos de tendinopatia de Aquiles. Mudar abruptamente para calçados minimalistas (como a moda de corrida descalça) sem adaptação gradual é uma causa conhecida de lesão aguda do tendão.
Idade acima de 35 anos é um fator independente de risco. A partir dessa faixa, a regeneração do colágeno fica mais lenta e a resistência do tendão a cargas repetitivas diminui. Não é coincidência que a tendinite de aquiles seja mais comum em corredores amadores na faixa dos 35 aos 50 anos do que em atletas jovens de alto rendimento.
O uso de certos medicamentos, especialmente os antibióticos da classe das fluoroquinolonas (ciprofloxacino, levofloxacino), está associado a um risco aumentado de lesão do tendão de Aquiles. Pacientes que precisaram tomar esses medicamentos e desenvolveram dor no tendão devem informar o ortopedista.
O diagnóstico da tendinite de aquiles começa pelo exame clínico. O ortopedista vai perguntar sobre quando a dor começou, o que a provoca, como é a rotina de exercícios, se houve mudança recente no tipo de treino ou de calçado, se já teve episódios anteriores e se usa ou usou algum medicamento que possa afetar o tendão.
O exame físico inclui palpação do tendão para identificar o ponto de maior dor e possível espessamento, o Teste de Thompson (apertar a panturrilha com o paciente deitado: ausência de movimento do pé indica ruptura total do tendão), e avaliação da amplitude de movimento do tornozelo e da força dos flexores plantares. O ortopedista também avalia a pisada e o alinhamento do membro inferior.
O ultrassom musculoesquelético é o exame de imagem de escolha para a tendinite de aquiles. Permite visualizar o tendão em tempo real e em movimento, identificar o espessamento, áreas de degeneração (tendinose), neo-vascularização (sinal de inflamação ativa) e rupturas parciais. Na SUORT, o ultrassom é realizado com equipamento de alta resolução, e pode ser combinado com a infiltração guiada no mesmo momento do exame quando indicado.
A ressonância magnética é solicitada nos casos com suspeita de ruptura parcial extensa ou quando os achados do ultrassom não são suficientes para definir o plano de tratamento. Para a grande maioria dos casos de tendinopatia de Aquiles, o ultrassom já fornece todas as informações necessárias para o diagnóstico e condução do tratamento.
Em Perdizes, a SUORT Clínica Integrada oferece a avaliação ortopédica completa com Dr. Sérgio Rowinski, que define os exames necessários para cada caso e orienta o tratamento desde a primeira consulta. Saiba mais sobre o cuidado com o pé e o tornozelo no nosso artigo sobre dor no tornozelo e tratamento em SP.
O tratamento da tendinite de aquiles depende do tipo (aguda ou crônica), da localização (corpo do tendão ou inserção) e da gravidade da lesão. Mas em mais de 80% dos casos, o tratamento conservador é suficiente para resolver o problema sem cirurgia.
Modificação das atividades é o primeiro passo. Não significa parar tudo, mas reduzir ou substituir as atividades que sobrecarregam o tendão. Corredores precisam reduzir o volume e a intensidade, ou substituir temporariamente a corrida por natação ou ciclismo. O objetivo é manter o condicionamento enquanto o tendão tem chance de se recuperar.
Fisioterapia com exercícios excêntricos da panturrilha é o tratamento com maior evidência científica para tendinopatia de Aquiles. Publicação no British Journal of Sports Medicine mostra que o protocolo de Alfredson (exercícios de descida em degrau com carga progressiva) tem taxa de sucesso de 90% em pacientes com tendinopatia do corpo do tendão acompanhados por 12 semanas. O exercício excêntrico estimula a reorganização das fibras de colágeno degeneradas, reduz a neo-vascularização e restaura a resistência mecânica do tendão. Na SUORT, a fisioterapia ortopédica em Perdizes inclui o protocolo de exercícios excêntricos supervisionado pelo fisioterapeuta desde a primeira sessão.
Ondas de choque extracorpóreas (ESWT) são indicadas nos casos de tendinopatia crônica que não responderam à fisioterapia convencional após 6 a 12 semanas, e nos casos de calcificação de inserção do tendão de Aquiles. O equipamento emite ondas de pressão que estimulam a regeneração do tecido tendinoso e reduzem a neo-vascularização. Na SUORT, o mesmo recurso de ondas de choque utilizado para fascite plantar é aplicado para a tendinite de aquiles quando indicado. Veja mais sobre essa tecnologia no artigo sobre ondas de choque para fascite plantar em SP.
Palmilhas ortopédicas com elevação de calcanhar reduzem a tensão sobre o tendão de Aquiles durante as atividades do dia a dia e são um recurso adjuvante importante no tratamento da tendinopatia, especialmente nos casos com encurtamento da panturrilha. Palmilhas que corrigem a pronação também fazem parte do protocolo em pacientes com pisada inadequada. Saiba mais sobre o uso de palmilhas ortopédicas no tratamento das lesões do pé.
Infiltração guiada por ultrassom com PRP (plasma rico em plaquetas) ou com substâncias esclerosantes é uma opção para casos selecionados de tendinopatia crônica com neo-vascularização excessiva. O PRP, extraído do próprio sangue do paciente, é injetado no tendão degenerado para estimular a regeneração do colágeno. A guia de ultrassom garante que a aplicação seja feita no ponto exato de lesão, aumentando a eficácia e reduzindo o desconforto do procedimento. Importante: a infiltração com corticosteroide diretamente no tendão de Aquiles está contraindicada pelo risco de enfraquecimento e ruptura.
Cirurgia para tendinite de aquiles é indicada em casos específicos: ruptura total do tendão em pacientes jovens e ativos, ruptura parcial extensa sem resposta ao tratamento conservador após 6 meses, e tendinopatia de inserção com calcificação grande e dor persistente. Quando indicada, a artroscopia do tendão de Aquiles permite tratar a lesão de forma minimamente invasiva, com menor tempo de recuperação comparado à cirurgia aberta. Para saber mais sobre a preparação para a recuperação, acesse nosso artigo sobre como acelerar a recuperação pós-cirurgia ortopédica.
"O tendão de Aquiles é resistente, mas não é invencível", diz o Dr. Sérgio Rowinski, ortopedista da SUORT, formado pela Escola Paulista de Medicina da UNIFESP e especializado em Cirurgia de Ombro e Cotovelo desde 2005. Membro ativo da SBCOC e faculty do programa Shoulder Planet, com o qual já realizou cirurgias ao vivo e treinou ortopedistas em países como Índia e Argentina, o Dr. Sérgio defende que a cirurgia deve ser o último recurso em qualquer lesão tendinosa. "A maioria das rupturas que atendemos em cirurgia era precedida por meses de dor que o paciente ignorou ou tratou de forma inadequada. Tratar cedo é a melhor cirurgia que existe para o tendão de Aquiles." Essa mesma filosofia, que ele chama de "Slow Medicine", guia as aulas que ministra para estudantes do 5º ano de medicina e residentes de ortopedia em São Paulo: examinar com calma, educar o paciente, e operar apenas quando a indicação é inegável.
A SUORT Clínica Integrada fica na Rua Cayowaá, 2066, em Perdizes, zona oeste de São Paulo. Para os corredores que treinam no Parque Estadual da Cantareira, no Parque Villa-Lobos ou nas ruas de Perdizes, a clínica fica a poucos quilômetros dos principais pontos de treino da região. Quem vem de Higienópolis chega pela Avenida Angélica. Moradores de Pompeia, Pacaembu, Sumaré e Santa Cecília têm acesso rápido pela Rua Cardoso de Almeida. Quem está em Vila Madalena, Pinheiros, Lapa ou Barra Funda chega pelo metrô (estações Sumaré e Barra Funda) ou de carro com facilidade.
Na SUORT, o cuidado com a tendinite de aquiles é integrado: o ortopedista faz o diagnóstico, o fisioterapeuta executa o protocolo de exercícios excêntricos e terapias complementares, e o mesmo ortopedista acompanha a evolução do caso. Não há intervalo de semanas entre a consulta e o início da fisioterapia, porque os dois profissionais trabalham na mesma estrutura em Perdizes.
Para os casos com fratura de estresse, que às vezes coexistem com a tendinopatia em corredores de maior volume de treino, a avaliação também é feita na mesma clínica. Veja nosso artigo sobre fratura de estresse em corredores em SP para entender quando esse diagnóstico precisa ser considerado.
A SUORT aceita mais de 50 convênios médicos, incluindo Bradesco Saúde, Notredame Intermédica, Cassi, Omint, Geap e Metrus. Consulta ortopédica, sessões de fisioterapia e terapia por ondas de choque podem ser cobertas pelo seu plano. Para quem não tem convênio, a SUORT também atende de forma particular. A recepção confirma a cobertura pelo telefone (11) 3868-5566 antes do agendamento.
Pacientes de Perdizes e da zona oeste de São Paulo que chegam à SUORT com dor no tendão de Aquiles saem com diagnóstico confirmado e plano de tratamento definido. Não com anti-inflamatório e "repouso absoluto" que não resolve. Com protocolo específico, cronograma de recuperação e retorno à atividade com data e critério.
Sim, essa é uma das principais razões para não ignorar a dor no tendão. O tendão que está degenerado pela tendinopatia crônica perde resistência mecânica. Um movimento brusco que um tendão saudável suportaria sem problema pode causar ruptura parcial ou total no tendão comprometido. Esse risco aumenta com o tempo de evolução sem tratamento e com o uso de certas medicações (fluoroquinolonas, corticosteroide sistêmico). Tratar a tendinite de aquiles cedo é a forma mais eficaz de prevenir a ruptura.
Na fase aguda, com inchaço e dor intensa, o gelo (10 a 15 minutos, com pano entre o gelo e a pele) ajuda a reduzir a inflamação e o inchaço. Nas fases crônicas sem inflamação ativa (tendinose), o calor antes da atividade pode melhorar a circulação e a flexibilidade do tendão. O fisioterapeuta da SUORT orienta o uso mais adequado de recursos térmicos para cada fase da tendinite de aquiles.
Para a fase de tratamento, calçados com ligeira elevação de calcanhar (1 a 2 cm) reduzem a tensão sobre o tendão. Devem ter bom amortecimento, contraforte firme mas não rígido e sola com boa flexibilidade no antepé. Calçados completamente planos e minimalistas aumentam a carga no tendão e devem ser evitados durante o tratamento. O ortopedista e o fisioterapeuta orientam o tipo de calçado mais adequado para cada caso, e podem indicar o uso de palmilha ortopédica personalizada.
Sim, mas com cuidado. Alongamentos estáticos suaves da panturrilha são benéficos para reduzir a tensão sobre o tendão de Aquiles. Porém, alongamentos muito intensos, especialmente na tendinopatia de inserção (dor exatamente no calcanhar), podem piorar os sintomas. O tipo de alongamento mais adequado para cada caso de tendinite de aquiles é definido pelo fisioterapeuta com base na localização e gravidade da lesão.
Sim. As duas condições compartilham fatores de risco parecidos: encurtamento da musculatura da panturrilha, pisada pronada, sobrepeso e aumento brusco da atividade física. Quando ocorrem juntas, o tratamento precisa abordar as duas condições de forma integrada. Leia nosso artigo completo sobre o que é fascite plantar para entender as diferenças e os pontos em comum com a tendinite de aquiles.
Sim. A SUORT Clínica Integrada em Perdizes atende mais de 50 convênios, incluindo Bradesco Saúde, Notredame Intermédica, Cassi, Omint, Geap e Metrus. Consulta ortopédica, sessões de fisioterapia e terapia por ondas de choque para o tendão de Aquiles podem ser cobertas pelo seu plano de saúde. Ligue para (11) 3868-5566 ou fale pelo WhatsApp para confirmar a cobertura antes de agendar.